Particularmente, em decorrência de minhas indagações linguísticas presentes desde a infância e de minha formação em Letras, um dos aspectos que mais me fizeram desistir ou prosseguir na compra de um produto foi a "voz" do/da produto/marca. Mesmo com maioria de avaliações positivas, de pessoas reais ou dos chamados bots, uma discursividade inconsistente (pouco inteligível; sem personalidade delineada; com diversos erros, por exemplo) pode gerar desconfiança e consequente afastamento do usuário/cliente. Afinal, se um/uma produto/marca se apresenta de forma desleixada, tendemos a questionar o esmero de quem é responsável por aquela jornada ou experiência, ainda mais quando se trata de uma empresa de médio ou grande porte, as quais podem investir em um setor voltado às diversas ramificações de UX. Em outras palavras, figurativamente, se a vitrine (a "voz" do/da produto/marca) está suja, será que posso confiar na limpeza do produto?
Outro aspecto a salientar é que, com a democratização da Internet, não é raro que pessoas se deparem com falsos perfis em redes sociais ou falsos sites de empresas. Ainda que uma parcela de tais farsantes possam apresentar uma linguagem que não suscite suspeita, não é raro que um número bastante expressivo apresente a discursividade inconsistente, conforme mencionei no parágrafo anterior. A razão disso? Uma hipótese é a intenção de começar a aplicar o plano criminoso o quanto antes, sem muita necessidade de compreender como a real empresa se comunica. Felizmente, em casos em que o potencial cliente tem conhecimento prévio de uma empresa, os golpistas podem ser percebidos com maior facilidade, uma vez que – mesmo de forma intuitiva – possuímos um parâmetro de análise capaz de atestar a falsidade de um perfil/site no nível discursivo.
Como podemos concluir, quando uma empresa não se dedica a lapidar a sua "voz", corre o sério risco de ser confundida com eventuais falsários ou com um grupo que passa pouca atenção à autoimagem e ao que pretende entregar aos clientes como experiência a fim de obter resultados de negócios. Nesse sentido, empresas e pessoas em busca de emprego são muito semelhantes: ambos os entes precisam ter plena consciência de como se comunicar em seus campos de atuação, com o intento de reduzir os atritos cognitivos. Se uma pessoa ou uma marca não souber como atuar, grandes ideias ou experiências podem morrer.