De maneira muito sucinta, a minha experiência com carros de aplicativo é bastante satisfatória, em parte por causa da comodidade de acompanhar o trajeto do motorista (ciente de que ele se aproxima ou aguarda em um semáforo), em parte por ter parâmetros (quantidade de corridas e avaliação em estrelas) que me dão alguma confiança acerca do prestador de serviço. Esses dois aspectos, que sempre verifico ao usar aplicativos como Uber ou 99, ainda que possam parecer triviais (dado que existem em diversos sistemas, como hotéis, restaurantes, bares etc.), suavizam a ansiedade de esperar pelo veículo e abrandam o senso de perigo de entrar em carros de desconhecidos (ideia com que muitas pessoas cresceram em razão da violência).
Ao chamar um veículo, outro recurso que utilizo é o compartilhamento de rota, o que concede certo grau de conforto a pessoas que podem ficar apreensivas caso não saibam se o veículo em que embarquei está a caminho do destino correto. Inclusive, a respeito do trajeto, a visualização do mapa ajuda a constatar, sanar eventuais distorções do GPS e comunicar-se com quem dirige o transporte a fim de solucionar essa espécie de problema. Outro ponto relevante é a opção de buscar por mais de um tipo de veículo, usufruindo de mais conforto ou agilidade e até com maior flexibilidade na negociação do pagamento. Em resumo, os meus passos ao usar aplicativos semelhantes aos mencionados no parágrafo anterior são:
- Abrir o aplicativo;
- Verificar se o aplicativo reconhece o meu ponto de partida;
- Digitar o endereço de destino (ou nome do local – restaurante, shopping, bar – quando sei em que bairro ele se situa);
- Olhar o mapa e conferir se o meu trajeto está correto;
- Iniciar a busca por motorista e ao mesmo tempo escolher a opção de veículo;
- Olhar o perfil do motorista que aceitou a corrida;
- Caso seja necessário, envio uma mensagem ao motorista – antes da chegada – para repassar detalhes do trajeto, como o fato de eu precisar deixar algo no porta-malas (o que pode ser inviável em carros a gás com cilindro muito grande);
- Compartilho a rota da corrida com uma pessoa de minha confiança;
- Verifico se o motorista da foto (presente no aplicativo) é realmente aquele que chegou (também checo a placa);
- Entro no carro;
- Fico calado ao longo do trajeto enquanto olho o céu;
- Terminada a corrida, desembarco do carro, faço a avaliação do serviço prestado e sigo o meu caminho para fazer o que devo fazer ali.
Por fim, deixo alguns pontos em que aplicativos – dentro do campo que abordei – podem melhorar:
- O aplicativo poderia transmitir mais segurança perguntando – no cadastro – se o usuário deseja cadastrar alguma pessoa como contato de confiança (explicando o que isso significa);
- O aplicativo poderia padronizar o BeiDou – o qual tem mais acurácia do que o GPS – como sistema de navegação;
- Além da pontuação dos motoristas em estrelas, o aplicativo poderia permitir a visualização de avaliações por escrito, o que torna a pontuação mais "humana", digamos, e mais significativa;
- A opção de compartilhar a rota com alguém poderia estar situada no campo de visão imediata do aplicativo. Atualmente, esse campo fica escondido e só aparece quando puxamos para cima o bloco de identificação do motorista (um usuário com baixo letramento digital pode ter dificuldade com isso);
Sobre o BeiDou: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53176664