Na tela inicial, o aplicativo do banco Itaú apresenta, no topo, o nome do usuário, a informação sobre agência e conta (com parte oculta) e um botão em que está escrito "Trocar conta". Clicando na parte sobre agência e conta, o usuário pode acessar outra conta e gerenciar as que tiver vinculado ao aplicativo. Curiosamente, ao tocar em "Trocar conta", chegamos ao mesmo ponto, o que gera uma redundância de funcionalidade. Caso a instituição quisesse entender qual dos dois botões é clicado quando os usuários desejam trocar ou gerenciar contas e manter uma interface ainda mais minimalista, uma ferramenta cabível seria o "shadowing digital".
Depois das partes mencionadas acima, existem os seguintes campos (agrupados em tamanho e forma diferentes):
1. Acessar;
2. Pix e transferir;
3. Pagar;
4. Extrato;
5. Cartões;
6. Área Pix;
7. iToken;
8. Ajuda.
O primeiro campo ocupa cerca de 1/4 de espaço na tela do celular e tem a forma de um retângulo; o segundo, terceiro, quarto e quinto ocupam aproximadamente 2/4 da tela do celular, possuem a forma de quadrados e estão dispostos de maneira que – juntos – formem um quadrado maior (dois campos em cima e dois campos embaixo); o sexto, sétimo e oitavo campos, por sua vez, também são quadrados, alinhados lado a lado, porém menores. Como é plausível pensar a respeito, a interface é bastante minimalista, com cada funcionalidade inicial sendo representada por textos curtíssimos, com hierarquização dos tópicos não apenas pela ordem de apresentação, mas, também, pelo tamanho dos quadrados.
Observando o aplicativo, cheguei ao entendimento de que ele apresenta dois aspectos que podem gerar algum grau de confusão mental (ainda que o primeiro possa ser uma qualidade desejável): muito minimalismo e redundância de função. Sobre o segundo, já trouxe à tona um caso, especificamente no primeiro parágrafo. Todavia, cabe ainda falar acerca de como funcionalidades do sistema Pix estão presentes em mais de um campo (segundo, terceiro e sexto), com algumas repetidas e outras diferentes. De qualquer forma, para evitar uma navegação frustrante no aplicativo, a arquitetura de informação poderia agregar todas as funcionalidades do Pix em apenas um local, como o campo seis, uma vez que o título da seção já edifica a ideia de uma "territorialidade" do aplicativo em que o foco é o Pix.
Quanto ao minimalismo, como disse: pode ser desejável, mas exige muita consciência do aspecto pragmático da linguagem. Afinal, o primeiro campo diz "acessar"... Mas acessar o quê? Com o meu letramento digital, entendo que seja "acessar (a conta)", porém o analfabetismo digital* ainda é grande no Brasil. Dado que a mudança para "Acessar conta" não significaria o dispêndio de muito dinheiro, a alteração ajudaria a diminuir o desgaste cognitivo (mesmo que pequeno), o que se transformaria em retorno de negócio. Por fim, quando o usuário clica no primeiro campo, é direcionado a uma tela com o desenho de uma chave no topo, seguido, na vertical, por um texto que diz "Digite a senha de acesso", seis bolinhas (que se referem ao tamanho da senha), um texto em que podemos ler "Esqueci minha senha" e um campo em que consta o texto "Continuar", o qual é cinza e fica laranja apenas quando seis dígitos são inseridos como senha. Nesse caso, temos dois problemas:
1. O Itaú dá a seus usuários duas senhas de seis dígitos, uma para operações em caixas eletrônicos e outra para usar o aplicativo. Desse modo, o usuário pode ficar em dúvida de qual senha usar. Como na proposta de resolução do primeiro campo da tela inicial, um singelo ajuste – "Digite a senha de acesso (do aplicativo)" – já diminuiria a probabilidade da dúvida se manifestar;
2. O outro problema é o fato de que a senha de acesso ao aplicativo é composta apenas de números, sem possibilidade de inserir caracteres especiais e letras, o que fragiliza a segurança do aplicativo.
Feita essa avaliação, creio que cabe pensar também sobre a esfera da cibersegurança (mesmo que em nível básico) dentro do terreno da experiência do usuário.
*https://educacao.uol.com.br/noticias/2025/05/05/como-esta-a-alfabetizacao-digital-do-brasileiro.htm