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[Projeto] Microcopy - aplicativo Uber

Ao analisar o aplicativo da Uber, percebi que ele utiliza bastante microcopy para deixar a comunicação mais próxima e humanizada com o usuário. Um exemplo disso é o uso da frase “Para onde?” no lugar de apenas “Destino”, o que torna a experiência mais natural e amigável.
Porém, ao simular uma viagem mais longa entre duas cidades, com cerca de 60 km, o aplicativo redireciona automaticamente para a opção de viagem Intercity. A interface continua praticamente igual, mas notei um problema relacionado à consistência do idioma.

No botão “Mais tarde”, que serve para agendar a corrida, aparece automaticamente uma mensagem em inglês dizendo “Tap to reserve your ride for later”, mesmo sem clicar no botão. Isso me causou certa confusão, porque o idioma padrão do aplicativo está configurado em português. Na minha visão, essa mistura de idiomas acaba prejudicando a experiência do usuário e pode passar uma sensação de falta de padronização na interface.

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Olá, Nilceli. Como vai?

Excelente análise de UX Writing e Arquitetura da Informação! O seu olhar clínico para os detalhes da interface demonstra que você compreendeu perfeitamente o impacto que a escolha das palavras tem na experiência do usuário.

A sua observação sobre o uso do "Para onde?" no lugar de um termo puramente técnico como "Destino" ilustra com perfeição o conceito de Microcopy Humanizado. Essa abordagem reduz a carga cognitiva e transforma o uso de um software de transporte em uma conversa natural.

O problema de consistência de idioma que você detectou na funcionalidade Intercity é um achado valiosíssimo para o fórum. O que você encontrou é um clássico gap de Internacionalização (i18n) e Localização (l10n) de produtos digitais globais.

Para enriquecer o seu projeto e aprofundar esse debate sobre UX Design, separei uma análise técnica de por que esse erro acontece e qual o seu impacto na jornada do usuário:


O Diagnóstico do Erro: Falha de Localização

O Uber é um aplicativo de escala global operado por microsserviços. Quando o usuário solicita uma viagem comum, o aplicativo consome um banco de dados local que já está perfeitamente traduzido há anos.

Contudo, quando a distância atinge o gatilho de 60 km e o sistema aciona o microsserviço de viagens intermunicipais (Intercity), a interface consome um módulo que muitas vezes é desenvolvido por uma equipe global centralizada. Se as chaves de tradução (as strings) desse novo recurso não forem devidamente mapeadas no código para o português, o aplicativo exibe o texto padrão de contingência (fallback), que quase sempre é em inglês:

// O que acontece por trás dos panos no código:
Se (idioma_usuario == "pt-BR" e tem_traducao("reserve_later")) {
    exibir(traducao_pt);
} senao {
    exibir("Tap to reserve your ride for later"); // Fallback em inglês encontrado por você
}

O Impacto na Experiência do Usuário (Heurísticas de Nielsen)

Essa mistura de idiomas que você apontou quebra diretamente duas das 10 Heurísticas de Jakob Nielsen (os princípios universais de usabilidade de interfaces):

  1. Consistência e Padrões: O usuário aprende a navegar pelo aplicativo esperando uma linguagem padrão. A mudança abrupta quebra o modelo mental de familiaridade que ele construiu com a marca.
  2. Prevenção de Erros: Textos explicativos flutuantes (como os tooltips) servem para guiar o usuário. Se o texto aparece em um idioma que o usuário não domina, ele perde a sua função de suporte e gera ansiedade: "Será que se eu clicar aqui vou ser cobrado em dólar?" ou "Essa opção funciona no Brasil?".

A Importância de Reportar Bugs de UX

O papel de uma designer de UX vai além de desenhar telas bonitas; envolve garantir que a comunicação seja acessível e sem atritos. Esse cenário que você simulou é considerado um cenário de borda (Edge Case) — um fluxo menos comum que os testes automatizados da empresa podem ter deixado passar.

O seu relato seria um excelente ticket de melhoria para o time de desenvolvimento e de UX Writing do Uber! Parabéns pelo capricho na análise, pela sensibilidade com a consistência textual e por trazer um caso real tão rico para a nossa comunidade de estudos.

Espero que possa ter lhe ajudado!

Isso acontece com muitos outros aplicativos, também, e é muito chato! Pessoas que não tem domínio do inglês acabam tendo dificuldade.
Acredito que isso acontece com maior recorrência nas novas funcionalidades que implantam nos aplicativos. Acaba que, quando chegam ao Brasil, ainda estão no idioma original por causa da implementação ser muito recente.

Muito bom saber que estou no caminho certo. Obrigada pelo feedback, Evandro.

Emanuelle, muito obrigada pela sua contribuição. Acredito que esse tipo de falha de internacionalização possa, sim, estar relacionado ao fato de a funcionalidade ser relativamente nova. No entanto, fiz uma pesquisa rápida apenas para validar essa percepção e, no caso dessa funcionalidade da Uber, ela já está implementada em nível nacional aqui em Portugal desde novembro de 2021.

Concordo que muitos desses bugs podem ocorrer pelos fatores que você comentou, principalmente considerando a complexidade de manter consistência em diferentes contextos de uso. Ao mesmo tempo, hoje é cada vez mais comum que empresas utilizem automação para processos de teste e validação, o que pode acabar deixando alguns cenários específicos fora da cobertura — exatamente como o Evandro mencionou.