Solucionado (ver solução)

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Solucionado
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[Dúvida] Dúvida sobre gerenciamento de redes

Olá Pessoal, tudo bem?

Dentro da matéria de redes,
temos sempre aquelas coisas classicas como projeto de redes,
analise de trafego, analise de vulnerabilidades, e temos também o gerenciamento de redes...

Dentro do gerenciamento de redes, queria que vocês me dissessem as rotinas da rede, basicamente falo sobre switches e roteadores,
mas vocês podem adicionar outras coisas se quiserem, ta bom? (Aqui falo de qualquer marca de equipamento)
Tipo coisas como atualizações, monitoramento (zabbix, nagios,...), logs, e etc. Queria que o pessoal da área me dissesse...

Se alguem souber também como centralizar os equipamentos da cisco de diferentes empresas num lugar só (MSP) eu agradeço.

7 respostas
solução!

Oii, como vai?

Ótima pergunta, e bem abrangente. Gerenciamento de redes costuma ser a parte menos glamourosa e mais decisiva do dia a dia, então vale separar as rotinas por eixo.

Inventário e documentação: manter uma fonte única de verdade com modelo, versão de firmware, número de série, data de fim de suporte, VLANs, IPs de gerência e responsável por cada equipamento. Ferramentas como NetBox ajudam bastante aqui, e sem isso as outras rotinas viram adivinhação.

Backup de configuração: rotina diária e automatizada, com versionamento e diff. Oxidized e RANCID são os clássicos para ambientes multivendor, eles conectam via SSH, puxam a running-config e commitam num repositório Git, o que permite ver exatamente o que mudou entre ontem e hoje.

Atualização de firmware: janela de manutenção definida, checagem prévia de bugs conhecidos e release notes, backup da config e da imagem antiga, e plano de rollback. Em equipamentos Cisco, um recurso que salva muito é o reload in, que agenda um reboot de segurança antes de aplicar mudanças arriscadas em acesso remoto:

Switch# reload in 10
Switch# configure terminal
Switch(config)# ! aplica a mudança arriscada aqui
Switch(config)# end
Switch# reload cancel      ! só se você ainda conseguir acessar o equipamento
Switch# write memory

Se a mudança derrubar sua sessão, o equipamento reinicia sozinho em 10 minutos e volta com a última configuração salva. Simples, e evita deslocamento até o site.

Monitoramento: coleta via SNMP (preferencialmente v3, com autenticação e criptografia) e ICMP, com Zabbix, LibreNMS, Nagios ou Prometheus com snmp_exporter. O que vale acompanhar além do "está no ar": utilização de interface, CPU e memória, contadores de erro e discard, temperatura, estado de fonte e ventoinha, uptime e mudanças de estado de porta. Para análise de tráfego, NetFlow, sFlow ou IPFIX com ntopng ou Elastiflow.

Logs centralizados: syslog apontando para um coletor único (Graylog, Wazuh, ELK). E antes disso, NTP sincronizado em todos os equipamentos — sem horário consistente, correlacionar log entre switch, roteador e firewall é praticamente impossível.

Controle de acesso: AAA com TACACS+ ou RADIUS, contas individuais em vez de senha compartilhada, SSHv2 com telnet desabilitado, ACL nas linhas VTY restringindo a origem da gerência, e idealmente uma VLAN ou VRF de gerência separada do tráfego de produção.

[Continua]

Sobre centralizar equipamentos Cisco de várias empresas em um lugar só, depende bastante da linha:

  • Meraki: é o caminho mais direto. O MSP Portal permite administrar múltiplas organizações com um único login, mantendo licenciamento, usuários e peers de VPN independentes por cliente.
  • Catalyst com SD-WAN: o SD-WAN Manager (antigo vManage) tem modo multitenant, com separação lógica por cliente.
  • Catalyst Center (antigo DNA Center): forte em automação e assurance, mas o modelo é mais orientado a uma organização por instância.
  • Multivendor: se o parque não é só Cisco, plataformas como Auvik, Domotz ou LibreNMS com agrupamento por cliente costumam sair mais barato e cobrir tudo.

Em qualquer cenário de MSP, dois cuidados são obrigatórios: segregação real entre clientes (credenciais, VRFs e permissões separadas) e conectividade dedicada até cada site, normalmente por túnel VPN ou proxy de coleta instalado na ponta.

Se quiser aprofundar ainda mais, algumas boas práticas são:

  • Gestão de mudanças: toda alteração com registro, janela, aprovação e rollback documentado, mesmo em ambiente pequeno.
  • Automação como padrão: Ansible, NAPALM ou Nornir para aplicar configuração em lote reduz erro humano e garante padronização entre sites.
  • Gestão de capacidade: acompanhar tendência de tráfego e de portas ocupadas evita que a expansão vire emergência.
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Mas que resposta bonita hein...rs

Gostei muito, mas assim falo de outros equipamentos também por exemplo, o Ubiquiti, <<o que seria o ideal pra mim, ou até a Aruba se quiser citar outra empresa (<<não sei como funciona). Eu não tive experiência própria com ele (Ubiquiti), mas eu via as outras pessoas da minha ex-empresa mexendo.

A Cisco eu perguntei mesmo por causa da centralização dos equipamentos em um só lugar, porque eu ainda não tinha visto isso nessa empresa.
PS.: Não sou muito fã daquela tela preta, acho algo não muito prático e cansativo. Já me encheu os olhos antigamente, hoje não mais. Cheguei até pensar que aquilo era pra ajudar a mexer em sistemas linux uma vez...

Eu entendi as rotinas, mas se quiser citar algo sobre outros equipamentos(por favor ubiquiti rs :D), como as configurações que você fez ali em cima seria o ideal para mim...fecharia em 100%.

Oii!

Sobre o gerenciamento de redes com equipamentos Ubiquiti e Aruba, a notícia boa para você é que essas duas linhas foram desenhadas justamente para fugir da tela preta. Praticamente tudo é feito por interface web, e o modelo de centralização existe nas duas.

Ubiquiti (UniFi)

O centro de tudo é o UniFi Network Application, o controlador. Você tem duas rotas para hospedá-lo:

  • Appliance da própria Ubiquiti: Cloud Key Gen2 Plus, UniFi Dream Machine SE ou UniFi Express. Você liga na tomada e o controlador já está rodando.
  • Auto-hospedado: instala em um servidor Linux ou em Docker, o que sai mais barato quando você já tem uma máquina disponível.

O conceito que resolve a sua pergunta sobre centralização chama-se Sites. Dentro de um único controlador, você cria um site por cliente ou por unidade, cada um com suas próprias VLANs, redes Wi-Fi, políticas de firewall e administradores. Ao trocar de site no menu superior, você muda de ambiente sem trocar de login.

Acima disso existe o UniFi Site Manager, acessível em unifi.ui.com. Ele agrupa todos os seus consoles, mesmo que estejam em cidades ou empresas diferentes, numa única tela com status de dispositivo, versão de firmware, alertas e acesso remoto. É o equivalente mais próximo do MSP Portal da Meraki dentro do universo Ubiquiti.

As rotinas que citei antes têm equivalente direto no menu:

  • Backup de configuração: em Settings, System, Backups, com agendamento automático, política de retenção e download do arquivo .unf.
  • Atualização de firmware: em Settings, System, Updates, com janela de manutenção configurável por site.
  • Syslog remoto: em Settings, System, Advanced, apontando para o seu coletor.
  • SNMP: no mesmo menu Advanced, para expor os equipamentos ao Zabbix ou LibreNMS.
  • Administradores por site: em Settings, Admins, com papéis limitados por escopo, que é o que garante a segregação entre clientes.

Se optar pelo auto-hospedado, este docker-compose.yml já sobe o controlador com o banco separado. Ajuste as senhas antes de usar:

services:
  unifi-db:
    image: docker.io/mongo:7.0
    container_name: unifi-db
    volumes:
      - ./db:/data/db
      - ./init-mongo.js:/docker-entrypoint-initdb.d/init-mongo.js:ro
    restart: unless-stopped

  unifi-network-application:
    image: lscr.io/linuxserver/unifi-network-application:latest
    container_name: unifi-network-application
    environment:
      - PUID=1000
      - PGID=1000
      - TZ=America/Sao_Paulo
      - MONGO_USER=unifi
      - MONGO_PASS=troque_esta_senha
      - MONGO_HOST=unifi-db
      - MONGO_PORT=27017
      - MONGO_DBNAME=unifi
    volumes:
      - ./config:/config
    ports:
      - 8443:8443    # interface web do controlador
      - 8080:8080    # comunicacao com os equipamentos
      - 3478:3478/udp
      - 10001:10001/udp
    restart: unless-stopped
    depends_on:
      - unifi-db

Depois de subir, acesse https://SEU_IP:8443 e o restante é ponto e clique.

Pra quem gosta de dashboard bonito, vale conhecer o UnPoller, um coletor que puxa métricas do controlador UniFi e entrega para Prometheus e Grafana, com painéis prontos de cliente, AP, switch e tráfego por porta. Você monta uma vez e depois só olha gráfico.

O ponto de atenção do UniFi: os Sites resolvem bem a organização, mas não existe separação comercial e de licenciamento por cliente como na Meraki. Para um cenário de MSP de verdade, o desenho mais limpo é um console por cliente, todos reunidos no Site Manager.

[Continua]

Aruba (HPE Aruba Networking)

A linha se divide em duas propostas bem distintas:

  • Instant On: voltada a pequenas empresas, gerenciada por aplicativo e nuvem, sem controlador. Instalação rápida, mas com poucos recursos avançados.
  • HPE Aruba Networking Central: a plataforma de nuvem para o portfólio corporativo, e é onde está o recurso que interessa a você.

O Central tem um MSP mode, um modo de operação multi-tenant no qual o administrador provisiona contas de tenant, aloca dispositivos, atribui subscrições e monitora todas essas contas a partir de um mesmo portal. Ao clicar no nome de um cliente na tabela, a interface abre exatamente igual à de uma conta enterprise comum, o que reduz muito a curva de aprendizado da equipe.

Há um detalhe contratual importante: o MSP mode prevê modelos diferentes conforme quem é o dono do hardware e das subscrições. No modelo mais comum, o provedor é dono dos equipamentos e das licenças, e os empresta ao cliente enquanto durar o contrato. Quando o contrato termina, dispositivos e subscrições voltam ao pool comum e podem ser realocados. Vale conferir isso antes de desenhar a proposta comercial.

Comparando na prática

Se o seu foco é custo baixo e interface agradável, Ubiquiti entrega mais por real investido, com a ressalva de que a separação entre clientes é organizacional, não contratual. Se a exigência é multi-tenant formal, com licenciamento e relatórios por cliente, Aruba Central com MSP mode ou Meraki com MSP Portal são as opções desenhadas para isso.

Um comentário sobre a tela preta: nas duas plataformas você consegue operar o dia a dia inteiro pela interface gráfica. O CLI aparece em momentos pontuais, como recuperar um AP UniFi que perdeu o controlador. Fora disso, mouse resolve.

Alura Conte com o apoio da comunidade Alura na sua jornada. Abraços e bons estudos!

Show de bola...
Fiquei até com vergonha da resposta enorme que você me deu, mas agradeço, porque foi muito bom...
Ta marcado como solução...

Que isso, não precisa ter vergonha! ;)