Oii, como vai?
Ótima pergunta, e bem abrangente. Gerenciamento de redes costuma ser a parte menos glamourosa e mais decisiva do dia a dia, então vale separar as rotinas por eixo.
Inventário e documentação: manter uma fonte única de verdade com modelo, versão de firmware, número de série, data de fim de suporte, VLANs, IPs de gerência e responsável por cada equipamento. Ferramentas como NetBox ajudam bastante aqui, e sem isso as outras rotinas viram adivinhação.
Backup de configuração: rotina diária e automatizada, com versionamento e diff. Oxidized e RANCID são os clássicos para ambientes multivendor, eles conectam via SSH, puxam a running-config e commitam num repositório Git, o que permite ver exatamente o que mudou entre ontem e hoje.
Atualização de firmware: janela de manutenção definida, checagem prévia de bugs conhecidos e release notes, backup da config e da imagem antiga, e plano de rollback. Em equipamentos Cisco, um recurso que salva muito é o reload in, que agenda um reboot de segurança antes de aplicar mudanças arriscadas em acesso remoto:
Switch# reload in 10
Switch# configure terminal
Switch(config)# ! aplica a mudança arriscada aqui
Switch(config)# end
Switch# reload cancel ! só se você ainda conseguir acessar o equipamento
Switch# write memory
Se a mudança derrubar sua sessão, o equipamento reinicia sozinho em 10 minutos e volta com a última configuração salva. Simples, e evita deslocamento até o site.
Monitoramento: coleta via SNMP (preferencialmente v3, com autenticação e criptografia) e ICMP, com Zabbix, LibreNMS, Nagios ou Prometheus com snmp_exporter. O que vale acompanhar além do "está no ar": utilização de interface, CPU e memória, contadores de erro e discard, temperatura, estado de fonte e ventoinha, uptime e mudanças de estado de porta. Para análise de tráfego, NetFlow, sFlow ou IPFIX com ntopng ou Elastiflow.
Logs centralizados: syslog apontando para um coletor único (Graylog, Wazuh, ELK). E antes disso, NTP sincronizado em todos os equipamentos — sem horário consistente, correlacionar log entre switch, roteador e firewall é praticamente impossível.
Controle de acesso: AAA com TACACS+ ou RADIUS, contas individuais em vez de senha compartilhada, SSHv2 com telnet desabilitado, ACL nas linhas VTY restringindo a origem da gerência, e idealmente uma VLAN ou VRF de gerência separada do tráfego de produção.
[Continua]