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Cordão de identificação como linguagem não verbal (comunicação autista)

Entender códigos sociais, sendo autista, é extremamente desafiador e estudar comunicação de maneira constante me ajuda a identificar algumas informações na comunicação não verbal, mas sempre preciso da verbalização como suporte.
Olhar nos olhos, pode demonstrar atenção e interesse, mas na pratica, pra mim é desconfortável, exige muito esforço mental tirando completamente a minha atenção do assunto, e causando estresse que por consequência causa estereotipias e comportamento considerado estranho, logo interpretado como negativo na linguagem corporal. Usar o cordão de identificação sinaliza pra quem me vê sobre minha deficiência, faço algum contato visual pra pessoa perceber que estou presente na conversa e movimento a cabeça em sinal positivo. Quando vou responder a interação, reforço pontos que a pessoa disse pra que ela perceba que estava atenta às informações.
Evito ficar com as duas mão no bolso, mas dependendo da situação, ando com algum objeto de conforto e mantenho uma das mãos no bolso pra ter contato com o objeto e conseguir me regular em ambientes que necessitam de socialização.

Aceito recomendações de outras maneiras que eu poderia me portar e comunicar atenção e confiança.

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Olá, Elaine. Como vai?

É muito valioso você compartilhar sua perspectiva sobre a comunicação sob a ótica da neurodiversidade. As estratégias que você já utiliza, como o uso do cordão de identificação e o reforço verbal dos pontos ditos pelo interlocutor, são excelentes formas de adaptação e demonstram um alto nível de autoconhecimento.

Na comunicação, o que chamamos de linguagem corporal busca transmitir, acima de tudo, interesse e presença. Como o contato visual direto é estressante para você, existem outras formas de demonstrar atenção e confiança que não exigem o mesmo esforço mental.

Aqui estão algumas sugestões práticas que podem complementar sua forma de interagir:

  • Angulação do corpo: Em vez de focar no olhar, você pode manter o seu tronco e ombros levemente voltados para a pessoa com quem está falando. Isso sinaliza visualmente que seu canal de atenção está direcionado a ela, mesmo que seus olhos não estejam.

  • Ponto de foco alternativo: Caso sinta que a situação exige uma simulação de contato visual, uma técnica comum é olhar para a ponte do nariz ou para o centro da testa da pessoa. Para quem vê, a impressão é de que você está mantendo contato visual, mas para você, o custo sensorial costuma ser bem menor.

  • Sinais paraverbais: Utilizar sons curtos de concordância como "sim", "entendo" ou "hum-hum" durante as pausas da outra pessoa. Isso funciona como um suporte para o balançar de cabeça que você já faz, reforçando que você está acompanhando o raciocínio sem precisar olhar diretamente.

  • Transparência sobre o canal de escuta: Se você estiver em um ambiente de confiança, pode dizer algo como: Para eu conseguir me concentrar melhor no que você está dizendo, às vezes não conseguirei olhar diretamente para você, mas estou ouvindo atentamente cada detalhe. Isso transforma o "comportamento estranho" em um método de trabalho e foco.

Manter um objeto de conforto no bolso é uma técnica de autorregulação muito eficaz. Se isso ajuda você a manter a calma, saiba que é uma estratégia legítima para garantir que a comunicação verbal (que é onde você se sente mais segura) continue fluindo bem.

Espero que possa ter lhe ajudado!