Para mim, aprender a pensar computacionalmente foi análogo a usar um óculos e enxergar a vida por outro filtro. Como engenheira, aprendi sobre modularidade e sobre como um problema deve ser quebrado em vários pequenos pedaços, para que encontremos uma solução. Mas como a reflexão nos diz, o pensamento computacional vai muito além disso.
É uma nova maneira de enxergar a vida, de se questionar, de se manter curioso. Não é olhar uma atividade do cotidiano, ou um objeto, por si só, e sim se perguntar além. Como que esse objeto se decompõe? O que será que foi preciso pra montar essa estrutura? Qual será a logística por trás desse sistema? É se perguntar sobre as pequenas partes.
Um exemplo que gosto muito é da Manu Gavassi, durante o Big Brother Brasil 20. Ela se questionou, "como será que é feita a organização das nossas filmagens? Será que é ordenada por pastas? E essas pastas, será que são cada uma de cada participante, ou são pastas de cada dia? E será que dentro dessas pastas, tem recortes de momentos especiais, ou apenas os horários?" dentre muitas outras perguntas. Isso é pensamento computacional! E totalmente fora do que geralmente se pensa que pode ser. Porque é um questionamento sobre como é feita a edição de um programa do BBB: filmagens brutas -> organização dos arquivos de vídeo por pastas -> edição dos vídeos referentes a tal dia -> exportar a edição completa -> ir ao ar no ao vivo.
Como uma pessoa ansiosa, pensar de maneira computacional também me ajuda com questões do dia a dia. Porque as vezes, o que gera ansiedade é ver uma situação, um problema como algo enorme, complexo, difícil de se resolver. Mas colocando os óculos e enxergando de maneira computacional, se percebe que, na verdade, esse bicho não é de sete cabeças, e uma pequena parte pode ser solucionada de cada vez, e assim a ansiedade se vai.