Pelo que entendi até aqui, o pensamento computacional é algo que praticamente todo ser humano executa, muitas vezes, sem perceber.
Por exemplo, meu pai trabalhava com jabuticaba. Ele arrendava pomares até o final da safra, mas, para isso, precisava organizar toda uma logística: mapear os pomares mais próximos, definir o melhor período para iniciar a irrigação e planejar cada etapa do processo.
Com isso, ele evitava desperdícios de recursos como água, combustível e mão de obra. Além disso, conseguia aproveitar melhor o tempo da safra temporã (antes da principal) e, depois, a safra principal.
Talvez ele não soubesse, mas estava aplicando pensamento computacional na prática.
No meu ponto de vista, esse “motor de cálculo” é o que nos fez evoluir como sociedade. No entanto, hoje, com tantos recursos disponíveis, me parece que estamos deixando de utilizá-lo com a mesma intensidade.
Criamos máquinas cada vez mais capazes de resolver problemas com rapidez e eficiência. Mas isso levanta uma reflexão: estamos desenvolvendo essas ferramentas para evoluir ou para nos substituir? Quando partirmos, essas máquinas serão o nosso legado?
Ao mesmo tempo em que a IA aprende conosco em um ritmo acelerado, muitos de nós apenas consomem o que já está pronto, deixando de aprender. Respostas rápidas, soluções imediatas, tudo mastigado. Mas, nesse processo, algo se perde.
Aquela sensação de conquista, o “sabor da vitória”, que vinha depois de inúmeras tentativas, erros, ajustes, esforço e criatividade.
Talvez o problema não esteja na tecnologia em si, mas na forma como estamos nos relacionando com ela.
E quanto a nós: ainda estamos pensando, ou apenas consumindo o pensamento pronto?