Título: O que acontece quando o lugar onde você nasce não define até onde você chega? (linha mestra)
Algumas histórias parecem nascer com um roteiro pronto. A minha também poderia ter sido assim.
Eu sou uma garota do sertão da Bahia e, durante grande parte da minha vida, estudei em escolas públicas. Cresci em uma realidade em que muitas vezes as oportunidades chegavam de forma limitada, mas, curiosamente, eu sempre encontrei espaços que ampliavam meu olhar. Participei de projetos de doação, apresentações em rádio, clubes de leitura, atividades artísticas, teatro e artes marciais. E olhando hoje, percebo que aquilo era muito maior do que ocupação de tempo: eram lugares que me ensinavam a existir no mundo.
Mas existe uma tensão que muita gente conhece: o momento em que começamos a sonhar algo que parece distante da nossa realidade. Eu nunca tive muitas condições de custear uma faculdade particular. E, por um tempo, a pergunta não era “o que eu quero ser?”, mas “até onde eu consigo chegar?”.
Só que havia uma coisa que eu entendia desde cedo: estudar não era apenas estudar. Era uma possibilidade. Talvez uma ponte.
E foi essa ponte que me levou à universidade federal. Depois vieram novas experiências, novos desafios, a saúde, a tecnologia, a pesquisa e caminhos que eu ainda nem sabia nomear quando era aquela menina.
Mas a parte mais importante da minha história não está no fato de eu ter chegado até aqui. Está no que faço com isso hoje. Atualmente, uma das coisas que mais me move é ajudar outros jovens a acessarem o ensino superior com mais facilidade, porque alguém, em algum momento, abriu caminhos para mim também.
E talvez essa seja a maior descoberta da minha trajetória: educação muda vidas, mas comunidade e solidariedade constroem futuros.
Porque algumas conquistas parecem individuais, mas nunca são.