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Modo Toyota de produção

Tenho percebido que, no dia a dia de RH, área em que atuo, é comum termos muitas iniciativas acontecendo ao mesmo tempo (treinamentos, avaliações, ações de clima, etc.). Apesar da boa intenção, isso acaba gerando sobrecarga, disputa de atenção das lideranças e perda de qualidade nas entregas.

Pensando no conceito Lean (inspirado no modelo Toyota), comecei a refletir sobre a importância de trocar volume por fluxo: em vez de várias iniciativas simultâneas, estruturar um calendário mais estratégico, com priorização ao longo do ano e limite de atividades em paralelo.

A ideia não é fazer menos, mas fazer melhor — com mais foco, qualidade e eficiência.

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Olá, Aline! Como vai?

Sua reflexão é extremamente pertinente e toca em um dos maiores desafios das áreas corporativas modernas: a ilusão da produtividade por volume. No RH, onde lidamos com o capital humano, essa sobrecarga que você mencionou não afeta apenas a equipe de projetos, mas gera o que chamamos de "fadiga de mudança" em toda a organização.

O paralelo que você fez com o Sistema Toyota de Produção (TPS) é perfeito. Para te ajudar a aprofundar essa estratégia de "trocar volume por fluxo", gostaria de destacar três conceitos técnicos do Lean que se aplicam diretamente ao seu cenário:

1. WIP (Work In Progress) e a Lei de Little

O "limite de atividades em paralelo" que você mencionou é tecnicamente conhecido como Limite de WIP. A lógica é simples, mas poderosa: quanto mais coisas você começa ao mesmo tempo, mais tempo cada uma delas leva para ser concluída.

  • No RH: Se você tenta rodar uma Pesquisa de Clima e um Treinamento de Liderança simultaneamente, a atenção do gestor é dividida, o engajamento cai e ambos os projetos demoram mais para entregar valor.

2. De "Empurrar" para "Puxar" (Pull System)

O modelo tradicional muitas vezes "empurra" iniciativas para a empresa (Push). O modo Toyota propõe o sistema Puxado: as ações devem acontecer conforme a demanda e a capacidade de absorção do "cliente" (neste caso, os colaboradores e líderes).

  • Ação: Em vez de um calendário fixo e rígido, o RH passa a observar os ciclos da empresa para "puxar" as ações no momento em que elas terão mais impacto.

3. Identificação de Desperdícios (Muda)

No Lean, o excesso de iniciativas simultâneas é considerado um desperdício de Superprodução e de Processamento Excessivo. Quando uma liderança recebe três comunicações de áreas diferentes do RH no mesmo dia, o valor de cada uma é diluído.


Sugestão Prática: O Kanban de RH

Para colocar sua ideia de "fazer melhor" em prática, você pode adotar um quadro visual (Kanban). Ele ajudará a:

  1. Visualizar o gargalo: Ver fisicamente onde as ações estão travadas.
  2. Priorizar o valor: Decidir qual treinamento ou ação de clima trará o maior retorno agora.
  3. Garantir o fluxo: Só iniciar uma nova iniciativa quando uma anterior for finalizada (o famoso "Stop starting, start finishing").

Focar na qualidade e eficiência, como você propôs, é o caminho mais curto para tornar o RH um parceiro estratégico e ágil dentro da empresa.

Espero que possa ter lhe ajudado!

Na sua visão, qual seria o maior desafio para convencer as outras áreas a aceitarem esse limite de atividades simultâneas no calendário do RH?