Olá, Milena. Como vai?
O seu comentário toca exatamente no coração da tese de Clayton Christensen em seu livro clássico, O Dilema da Inovação. É uma leitura brilhante e contra-intuitiva, pois mostra que o motivo pelo qual grandes empresas falham não é porque elas são mal administradas, mas justamente porque fazem tudo "certinho": ouvem seus melhores clientes e focam onde estão os maiores retornos financeiros.
Para complementar a sua excelente reflexão e enriquecer o debate no fórum, vale a pena entender a diferença estrutural entre os dois tipos de inovação que geram esse dilema:
Inovação Sustentável vs. Inovação Disruptiva
- Inovação Sustentável (Evolutiva): É o caminho mais seguro e focado em melhorar um produto que já existe para o cliente que você já tem. Grandes empresas adoram esse modelo porque o risco é menor e o retorno financeiro é previsível. Um exemplo clássico é a indústria automotiva lançando o modelo de um carro com um design levemente atualizado ou um sensor de estacionamento melhor.
- Inovação Disruptiva: É aquela que, inicialmente, traz um produto que parece inferior, mais simples ou mais barato para o mercado tradicional, mas que atende a um público que antes estava esquecido ou que não tinha acesso àquela tecnologia (os chamados "não-consumidores"). Com o tempo, essa tecnologia evolui tanto que engole o mercado antigo. Exemplos disso foram o streaming substituindo as locadoras e as câmeras digitais substituindo os filmes fotográficos.
O perigo de ouvir apenas os mesmos clientes
Como você bem pontuou, ouvir apenas a sua base atual de clientes te prende na inovação sustentável. Se a Kodak tivesse ouvido apenas seus clientes tradicionais na década de 90, eles diriam: "Queremos filmes fotográficos com cores mais nítidas", e nunca "Queremos fotos digitais de baixa resolução para ver na tela do computador".
As grandes disrupções acontecem quando a empresa tem a coragem de olhar para fora, aceitando que o início de uma inovação disruptiva traz margens de lucro menores e altos riscos, mas garante a sobrevivência e a liderança da empresa no futuro.
Parabéns pela excelente leitura crítica do conteúdo do curso! Ter essa visão estratégica sobre riscos e disrupção é um diferencial enorme no mercado de startups e inovação.
Espero que possa ter lhe ajudado!