Tenho uma visão um pouco crítica sobre Scrum, principalmente pela forma como muitas empresas tentam aplicar o framework no dia a dia.
Não vejo problema em estudar Scrum, entender seus papéis, eventos e artefatos. O ponto é que, na prática, vi poucos contextos em que ele era realmente aplicado como foi pensado. Muitas vezes, o que aparece é uma adoção meio empurrada: criam dailies, plannings, retrospectivas, Sprints e quadros, mas a cultura da empresa continua a mesma.
O time continua com pouca autonomia, as decisões seguem centralizadas, as prioridades mudam sem critério, a liderança cobra previsibilidade absoluta e os ritos acabam virando mais uma agenda obrigatória do que uma forma real de melhorar o trabalho.
Também vejo um risco quando o Scrum vira “moda corporativa”. Algumas empresas dizem que são ágeis porque adotaram cerimônias, mas não mudaram a relação com o cliente, não melhoraram a comunicação, não reduziram desperdícios e não deram mais clareza para as equipes.
Na minha opinião, antes de escolher Scrum, Kanban ou qualquer outro modelo, a empresa deveria entender qual problema quer resolver. Se o problema é fluxo, gargalo e excesso de trabalho em andamento, talvez Kanban faça mais sentido. Se o problema é falta de autonomia, confiança e prioridade, nenhum framework sozinho vai resolver.
Por isso, minha crítica não é ao estudo do Scrum em si, mas ao uso automático dele como solução padrão para qualquer empresa ou equipe. Agilidade deveria ser mais sobre mentalidade, valor entregue, colaboração e adaptação, e menos sobre seguir ritos apenas porque o mercado adotou como tendência.