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[Dúvida] Adoção performática do Scrum

Tenho uma visão um pouco crítica sobre Scrum, principalmente pela forma como muitas empresas tentam aplicar o framework no dia a dia.

Não vejo problema em estudar Scrum, entender seus papéis, eventos e artefatos. O ponto é que, na prática, vi poucos contextos em que ele era realmente aplicado como foi pensado. Muitas vezes, o que aparece é uma adoção meio empurrada: criam dailies, plannings, retrospectivas, Sprints e quadros, mas a cultura da empresa continua a mesma.

O time continua com pouca autonomia, as decisões seguem centralizadas, as prioridades mudam sem critério, a liderança cobra previsibilidade absoluta e os ritos acabam virando mais uma agenda obrigatória do que uma forma real de melhorar o trabalho.

Também vejo um risco quando o Scrum vira “moda corporativa”. Algumas empresas dizem que são ágeis porque adotaram cerimônias, mas não mudaram a relação com o cliente, não melhoraram a comunicação, não reduziram desperdícios e não deram mais clareza para as equipes.

Na minha opinião, antes de escolher Scrum, Kanban ou qualquer outro modelo, a empresa deveria entender qual problema quer resolver. Se o problema é fluxo, gargalo e excesso de trabalho em andamento, talvez Kanban faça mais sentido. Se o problema é falta de autonomia, confiança e prioridade, nenhum framework sozinho vai resolver.

Por isso, minha crítica não é ao estudo do Scrum em si, mas ao uso automático dele como solução padrão para qualquer empresa ou equipe. Agilidade deveria ser mais sobre mentalidade, valor entregue, colaboração e adaptação, e menos sobre seguir ritos apenas porque o mercado adotou como tendência.

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Olá, Alessandro. Tudo certo?

Sua análise sobre a adoção do Scrum traz pontos muito pertinentes e realistas. De fato, a implementação do Scrum nas empresas muitas vezes fica restrita a uma reprodução mecânica de cerimônias e ferramentas, sem a alteração profunda na cultura organizacional que o framework propõe. O Scrum é, essencialmente, um framework para promover transparência, inspeção e adaptação, mas esses valores só surtem efeito se realmente houver autonomia, confiança e colaboração nas equipes. Quando esses aspectos não acontecem, o Scrum torna-se um roteiro burocrático, como você mencionou.

É importante destacar que a agilidade está muito mais relacionada à mentalidade e valores do que à simples aplicação de práticas prescritas. Como você acertadamente observou, a escolha entre Scrum, Kanban ou outro modelo deve considerar os desafios específicos da equipe e organização. Por exemplo, se o gargalo é o fluxo de trabalho, Kanban pode ser mais adequado, já para problemas de tomada de decisão e prioridades, é necessário trabalhar aspectos culturais antes de esperar melhorias apenas com um framework.

Com base nisso, como você acredita que uma organização poderia começar a cultivar essa cultura ágil para além das cerimônias e prazos fixos?

Parabéns pelo questionamento crítico e pelo foco no aprendizado profundo. O fórum está à disposição para continuar essa troca.

Alura Conte com o apoio da comunidade Alura na sua jornada. Abraços e bons estudos!