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Desafios da CNV no trabalho

Sei que é difícil mudarmos alguns hábitos para expor alguns pedidos, principalmente quando estamos com a cabeça quente.

No entanto, estou achando bastante interessante o curso e pretendo aplicar mais a CNV tanto na vida quanto no trabalho com mais frequência.

Mas precisamos ter muito cuidado com o uso da CNV no trabalho.
O que tenho percebido é que o uso da CNV tem sido usado em excesso e com pessoas com medo de ofender a outra.
É claro que precisamos pensar com mais cuidado antes de dizer alguma coisa, mas hoje em dia qualquer palavra num tom diferente é motivo para a outra pessoa se sentir ofendida.
Parece que saímos de uma época em que pessoas em cargos de chefia eram grosseiras nas suas solicitações e atualmente passamos para o extremo oposto, em que temos que tomar o máximo de cuidado pra não chatear a outra pessoa, o que também é ruim.

É preciso que haja um equilíbrio.

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Olá, Daniel. Como vai?

Sua reflexão é extremamente pertinente e toca em um ponto sensível da aplicação prática da Comunicação Não Violenta (CNV) no ambiente corporativo: o risco da comunicação "pisando em ovos".

Muitas vezes, confunde-se CNV com ser "bonzinho", passivo ou evitar conflitos a qualquer custo. Na verdade, Marshall Rosenberg, o criador da CNV, enfatizava que ela é uma ferramenta de assertividade e honestidade, e não de polidez excessiva ou medo. Quando usamos a CNV apenas para não ofender, corremos o risco de cair em uma comunicação artificial, o que gera o cansaço e a sensação de "extremo oposto" que você mencionou.

Para encontrar esse equilíbrio que você busca, especialmente em um cargo de Técnico Federal de Controle Externo, onde a clareza e o rigor são essenciais, deixo alguns pontos para reflexão:

  • Honestidade Radical vs. Grosseria: A CNV não pede que você esconda sua insatisfação, mas que a expresse sem julgamentos de valor. Dizer "Estou frustrado porque o prazo acordado não foi cumprido e isso impacta minha análise" é muito diferente de "Você é irresponsável com prazos". Ambas as frases são diretas, mas a primeira foca no fato e na necessidade, enquanto a segunda foca no rótulo.
  • O perigo da "Paz Artificial": Quando as pessoas têm medo de falar o que pensam por receio de "ofender", os problemas reais não são resolvidos, eles apenas ficam escondidos. O equilíbrio está em entender que sentimentos são de responsabilidade de quem os sente. Se você faz um pedido claro, observando fatos e sem atacar a pessoa, e ela ainda assim se ofende, isso diz mais sobre os gatilhos dela do que sobre a sua falta de cuidado.
  • Fatos, não opiniões: No trabalho, o equilíbrio vem ao focar na Observação. Quanto mais baseamos nossa fala em dados concretos e menos em interpretações, menor é a chance de a outra pessoa sentir que está sendo atacada pessoalmente.
  • Conexão Real vs. Formalismo: A CNV em excesso pode soar robótica. Às vezes, ser direto e empático ao mesmo tempo é mais eficiente do que tentar montar uma frase perfeita seguindo os quatro passos (Observação, Sentimento, Necessidade e Pedido). O segredo é manter a intenção de conexão, mesmo que as palavras sejam simples.

O excesso de cuidado que gera ineficiência é tão prejudicial quanto a grosseria que gera desmotivação. A CNV bem aplicada deve servir para tornar o trabalho mais fluido e as relações mais transparentes, e não para criar uma barreira de medo entre chefia e subordinados.

Espero que possa ter lhe ajudado!

Bom dia, Evandro.

Sim, ajudou bastante.

A CNV é importante. Mas levá-la ao pé da letra pra mim é difícil. Considero a CNV mais um guia que uma regra. É preciso fazer adaptações a depender do ambiente em que nos encontramos.

A sua frase "A CNV em excesso pode soar robótica" é bem o que eu o que eu tenho percebido da CNV nesse e em cursos.

Acho que a CNV funciona muito bem em relações da vida cotidiana (familiares, relacionamentos, amizades etc.), mas em ambientes de trabalho, tenho a sensação que o segundo elemento (Sentimento) não funciona muito bem. É nessa hora que, pra mim, soa robótico.

É importante identificar o sentimento, até mesmo para sabermos o por quê ficamos frustrados/irritados, mas não vejo a necessidade de expor isso em um ambiente de trabalho.

Pra mim, acho que os 4 componentes da CNV soariam mais natural se eu fizesse da seguinte forma (em um ambiente de trabalho):

  1. Observação de fatos anteriores;
  2. Identificação do que eu senti (de forma implícita, sem a necessidade de expor);
  3. O que eu preciso da outra pessoa; e
  4. Meu pedido.

Bom, era isso.