Algoritmo (mesma estrutura do instrutor):
- Solicite a média final do estudante, garantindo que seja um número entre 0 e 10.
- Se a média for menor que 5,0: exibir mensagem de reprovação.
- Senão, se a média for menor que 7,0: exibir mensagem de recuperação.
- Senão: exibir mensagem de aprovação.
Até aqui, sem novidade. A discussão começa nas mensagens. Sou formado em comunicação organizacional e é difícil olhar para essas três mensagens sem ver problemas que valem destacar, a partir do momento que o sistema fala com uma pessoa, cada nó if/else é uma decisão de UX writing, não só de lógica.
Problema 1 — três mensagens, três vozes diferentes
"Você está reprovado." é categórica. "Você está de recuperação." é passiva. "Parabéns! Você foi aprovado." é afetiva. Em produto, isso é falha de diretriz de tom, começa por consistência de voz.
Problema 2 — "está reprovado" vira identidade, não desempenho
A pesquisa de Carol Dweck (mindset fixo vs. crescimento) mostra que "você é/está X" cola rótulo na pessoa, enquanto "você não passou nesta avaliação" descreve o fato sem julgar identidade. A diferença parece sutil, mas afeta a capacidade do estudante de retomar o aprendizado.
Problema 3 — fronteiras numéricas criam classes desiguais entre pessoas quase iguais
Aluno com 6,9 recebe "recuperação". Aluno com 7,0 recebe "Parabéns! Aprovado." Diferença real de aprendizado: praticamente zero. Diferença de mensagem: enorme. O algoritmo está certo, a regra de negócio é que pode ser revista.
Problema 4 — mensagem de status sem próximo passo é mensagem incompleta
< 5,0: "Esta avaliação não foi suficiente para aprovação. Próximo passo: [ação]."
5,0–6,9: "Você pode recuperar a aprovação. Avaliação de recuperação em [data]."
≥ 7,0: "Aprovado. Próximo módulo libera em [data]."
Mesma lógica de if/else, mesma matemática, comunicação completamente diferente.
O ponto
Pensamento computacional não termina no algoritmo correto. Quando o output é mensagem para uma pessoa, o algoritmo é também um instrumento de comunicação — e a regra de negócio que define as fronteiras é uma decisão de produto. Vale trazer essa lente para sair do "está certo" e ir para "comunica bem".