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Coleta de dados

Existe uma pratica comum em alguns estabelecimentos comerciais como por exemplo farmácias de solicitar o CPF do cliente no momento da compra para ver se o mesmo tem algum desconto e assim o medicamento ou produto sair por um preço mais acessível do que já observado na prateleira. No entanto, quando isso acontece, não é fornecido nenhum termo de consentimento para que o cliente antes possa ler, assinar ou não consentir. Na verdade, se o cliente não quiser informar seu dado pessoal, fica induzido que o mesmo pagará o preço inicialmente observado na prateleira e que, aparentemente, é o mais caro. Do contrário, quando ele informa, tem duas situações que tenho observado: a inexistência de um cadastro para esse cliente e ai nesse mesmo momento é feito um e se possível feito o desconto no pagamento do item. E na outra, quando o cliente já tem o "cadastro", é verificado apenas a possibilidade do desconto. Minha dúvida é se essa conduta do estabelecimento pode configurar um descumprimento as normas existentes na LGPD.

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Olá, Alex. Como vai?

Essa é uma das dúvidas mais clássicas e pertinentes quando falamos de LGPD no cotidiano brasileiro. Você tocou em um ponto central da lei: a finalidade e a transparência na coleta de dados.

Para responder diretamente à sua dúvida: sim, essa conduta pode configurar descumprimento à LGPD dependendo de como os dados são tratados após a coleta.

Vamos analisar os pontos principais dessa prática sob a ótica da lei:

1. O Princípio da Finalidade e Necessidade
A LGPD estabelece que a coleta de dados deve ter uma finalidade específica e informada ao titular. Se a farmácia diz que o CPF é para "conceder desconto", ela não pode usar esse mesmo dado para perfilar seus hábitos de consumo e vender essas informações para seguradoras de saúde, por exemplo, sem que você saiba disso. O uso do dado deve ser o mínimo necessário para a transação.

2. O Consentimento vs. Outras Bases Legais
Muitas pessoas acreditam que tudo na LGPD exige um termo assinado (Consentimento), mas a lei possui outras bases legais, como o Legítimo Interesse ou a Execução de Contrato. No entanto, mesmo sem um termo físico, o estabelecimento é obrigado a ser transparente. O titular tem o direito de saber o que será feito com o dado antes de fornecê-lo. A ausência de informações claras sobre o tratamento dos dados no momento do cadastro fere o Princípio da Transparência.

3. Venda Casada ou Discriminação?
A prática de oferecer descontos em troca de dados é cinzenta. Órgãos de defesa do consumidor (como o Procon) e a própria ANPD têm monitorado isso. Se o preço da prateleira for "inflado" apenas para forçar o cliente a dar o CPF para obter o "preço real", isso pode ser interpretado como uma forma de coação ou prática abusiva, já que o dado pessoal passa a ser uma "moeda de troca" obrigatória para um preço justo.

O que diz a legislação recente?
Vale destacar que já existem leis estaduais em alguns locais do Brasil (como em Minas Gerais e no Rio de Janeiro) que proíbem expressamente que farmácias condicionem descontos ao fornecimento do CPF, justamente para evitar essa coleta indiscriminada.

Resumo das irregularidades comuns nessas situações:

  • Falta de Transparência: Não informar onde os dados serão armazenados e por quanto tempo.
  • Desvio de Finalidade: Usar o CPF do desconto para monitorar quais remédios controlados você compra.
  • Dificuldade de Acesso: O titular deve ter meios fáceis de solicitar a exclusão desse cadastro posteriormente, o que raramente é informado no balcão.

Em suma, o estabelecimento não é proibido de ter um programa de fidelidade, mas ele é obrigado a garantir que você dê seu dado de forma consciente, livre e com a garantia de que ele não será usado para fins obscuros.

Espero que possa ter lhe ajudado!

O que ocorre é que na ocasião em que o cliente informa o CPF e o vendedor consulta no sistema e ver que ele não tem o cadastro. Um novo cadastro é feito sem sequer perguntar ao cliente se o mesmo "concorda" ou "aceita". E isso, sem a apresentação de documentos formais ou anúncio verbal por parte do vendedor no balcão.