Tokenização, NLP e Question-Answering aplicados à Assistência à Saúde
Da resposta a clientes à resposta clínica, institucional e social
Por Ricardo Costa Val do Rosário auxiliado por ChatGPT 2.0 Plus
1. Definição Técnica
Question-Answering (QA) é uma subárea do Processamento de Linguagem Natural (NLP)
dedicada a sistemas capazes de responder perguntas formuladas em linguagem natural a partir
de um contexto textual específico, como documentos, bases de dados ou registros clínicos.
- Esses sistemas utilizam:
• Tokenização: fragmentação do texto em unidades semânticas (tokens);
• Embeddings: representação vetorial que captura significado contextual;
• Modelos Transformer (BERT, RoBERTa e derivados): capazes de compreender relações
bidirecionais entre palavras;
• Mecanismos de atenção: que identificam os trechos mais relevantes do texto para responder
à pergunta.
- Na prática, o modelo recebe pergunta + contexto, processa semanticamente o texto e prediz
o intervalo exato onde a resposta se encontra, com alta precisão contextual .
2. Contextualização: da lógica corporativa à lógica assistencial
- No ambiente corporativo, o QA é amplamente utilizado para:
• Suporte ao cliente,
• Consulta a contratos,
• Análise de normas e legislações,
• Gestão do conhecimento institucional.
- Na Assistência à Saúde, essa lógica sofre uma transformação qualitativa:
- Não se trata apenas de responder rápido, mas de responder com segurança clínica,
responsabilidade ética e impacto direto sobre decisões humanas.
- Aqui, o “cliente” deixa de ser um consumidor e passa a ser:
• Um paciente,
• Um profissional de saúde,
• Uma instituição pública,
• Um sistema de saúde sobrecarregado.
3. Fundamentos Técnicos Relevantes para a Saúde
# 3.1 Tokenização em linguagem médica
- A tokenização em saúde enfrenta desafios próprios:
• Termos compostos (“insuficiência cardíaca congestiva”),
• Siglas (“IAM”, “AVC”, “DPOC”),
• Linguagem híbrida (técnica + coloquial),
• Erros ortográficos em prontuários.
- Uma tokenização ingênua compromete diretamente a resposta clínica.
# 3.2 Leitura contextual profunda
- Modelos baseados em atenção conseguem:
• Relacionar sintomas ao longo do texto,
• Entender temporalidade (“há 3 dias”, “desde a admissão”),
• Diferenciar hipótese diagnóstica de diagnóstico confirmado.
- Isso é fundamental para não gerar respostas perigosas ou ambíguas.
4. Aplicações na Assistência à Saúde
# 4.1 Suporte clínico baseado em evidências
• Pergunta: “Quais critérios justificam uso de trombólise neste prontuário?”
• Contexto: Evoluções médicas, exames, diretrizes institucionais.
• Resposta: Trechos objetivos, auditáveis e rastreáveis.
# 4.2 Tecnovigilância e dispositivos médicos
• Consulta automatizada a manuais técnicos, alertas regulatórios e eventos adversos;
• Respostas contextualizadas para equipes assistenciais e de engenharia clínica.
# 4.3 Gestão hospitalar e administrativa
• Interpretação de portarias, normativas e contratos;
• Respostas rápidas para gestores sem leitura manual extensiva.
# 4.4 Apoio ao paciente e familiares (com limites claros)
• Sistemas de orientação baseados em documentos institucionais;
• Sem substituir o ato médico, mas reduzindo ruído informacional.
5. Situações Reais e Casos de Uso
# Caso 1 – Pronto-Socorro de grande volume
- Um hospital público recebe milhares de atendimentos/dia.
- O QA permite:
• Consulta rápida a protocolos internos;
• Padronização de condutas;
• Redução de variabilidade assistencial.
# Caso 2 – Saúde mental e triagem textual
- Análise de relatos escritos para:
• Identificar sinais de risco,
• Direcionar atendimento prioritário,
• Apoiar decisões da equipe multiprofissional.
# Caso 3 – Auditoria e conformidade legal
- Respostas automáticas baseadas em:
• Prontuários,
• Normas do SUS,
• Protocolos assistenciais, facilitando auditorias internas e externas.
6. Cenários Nacionais que se Beneficiarão no Brasil
# 6.1 SUS e sistemas públicos
• Escassez de profissionais,
• Excesso de documentos,
• Necessidade de decisões rápidas e fundamentadas.
- QA + NLP permitem ganho de eficiência sem aumento proporcional de custos.
# 6.2 Hospitais de ensino
• Apoio à formação médica,
• Consulta orientada a diretrizes,
• Aprendizado baseado em casos reais.
# 6.3 Regulação, vigilância e tecnovigilância
• Leitura automatizada de alertas da Anvisa,
• Correlação com eventos adversos locais,
• Respostas institucionais mais ágeis.