Olá pessoal, espero que esta mensagem os encontre bem no momento da leitura.
Gostaria de trazer uma reflexão complementar ao artigo “Conhecendo as Carreiras: um novo nível de profundidade”. Tecnicamente, o conteúdo apresentado está consistente. Entretanto, quando observamos a prática do mercado de trabalho em T.I., percebemos que a teoria da progressão de carreira nem sempre se sustenta na realidade organizacional contemporânea.
Proponho analisarmos três processos que evidenciam essa tensão entre teoria e prática.
- Entrada no mercado pós-pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, houve uma supervalorização dos profissionais de T.I., acompanhada de alta rotatividade. Com o desaquecimento posterior e a ampliação do uso de Inteligência Artificial, o mercado passou a operar com critérios mais restritivos.
Observa-se hoje um cenário curioso: profissionais com título de pleno ou sênior que, em alguns contextos, entregam menos que profissionais juniores bem estruturados. Isso nos leva a uma pergunta relevante: estamos avaliando senioridade por tempo, por escopo técnico ou por geração consistente de valor?
- Realocação profissional e rigidez técnica
Atualmente gerencio uma equipe de oito profissionais e estamos ampliando o time. Um desafio recorrente é a barreira da linguagem técnica exigida no recrutamento.
Há casos em que o profissional possui sólida base técnica, porém não domina exatamente a stack específica da vaga. Nesses casos, a estrutura de carreira (base, nível e checkpoints) deveria permitir flexibilidade para avaliar potencial de adaptação e aprendizado.
Pergunto ao grupo: estamos contratando competência estrutural ou apenas aderência imediata à ferramenta?
- Transição de carreira e descarte de capital intelectual
Atuo como Product Owner em órgão público, mantendo prática técnica ativa. Em processos seletivos recentes para DevOps, participei com intuito de benchmarking e entreguei todas as demandas técnicas solicitadas.
Ainda assim, recebi como retorno que não atendi aos requisitos da vaga, sem clareza sobre quais requisitos não foram cumpridos. Isso suscita uma reflexão importante: até que ponto experiências híbridas (negócio + técnico) são valorizadas pelo mercado? Ou estamos presos a descrições de cargo rígidas e, por vezes, limitadas?
Diante desses três cenários, deixo uma provocação ao grupo:
O modelo tradicional de progressão de carreira, estruturado em níveis fixos e requisitos técnicos específicos, ainda responde à complexidade do mercado atual? Ou precisamos evoluir para um modelo baseado em geração de valor, capacidade adaptativa e visão sistêmica?
Gostaria muito de ouvir a perspectiva de vocês.